05 April 2011
28 March 2011
aos meus amigos, que sempre me acompanharam em todos os momentos em que o meu mundo ameaçou ruir, cada um a seu jeito, juntos caminhamos pela estrada onde anoitece e onde amanhece todos os dias: À Pão (a confiança) por me ter acompanhado pelo caminho da prosa e da poesia, pelas palavras inglesas nos telefonemas de horas, por sermos tão diferentes mas isso nos ter fortalecido e não enfraquecido, pela cultura e busca de um pensamento independente, não estandardizado, fora do quadrado e esteticamente útil! Miss you Jo, a capital ainda é longe para quem tem como medida o mundo, mas sinto que por mais longe e mais tempo que passe, para mim serás sempre a Pão, continuo a sentir que a confiança é mútua e que em qualquer momento da minha vida posso falar-te das raízes que me vais compreender nesse teu mundo sem relógios*
À Sonia (a profundidade) pela sua sensibilidade, profundidade, amadurecimento interior com quem tenho feito a estrada de uma amizade que cresce, pela coragem, humildade e espírito de luta que se deslumbra apesar dos momentos de desalento. Amiga, tudo o que é sólido tem bolinhas de ar lá dentro apesar de ser denso. E entre nós existe a profundidade das amizades que se re-encontram, com outra maturidade, outra abertura, outra flexibilidade. Temos crescido – muitas vezes da forma mais difícil, que é aquela através do sofrimento – mas tem valido a pena. Por vezes falamos do que nos vai mesmo cá dentro com tal detalhe que quase decompomos moléculas em protões, CERN, tu de volta das incubadoras de vez em quando a congelar os seres em vez de bulir lol é tão engraçado já virmos de tão longe, de termos visto a mesma realidade quando éramos tão pequenas ainda e hoje podermos falar nisso e perceber exactamente o porquê de sermos tudo aquilo que somos hoje. É um privilégio crescer contigo*
À Xana (o suporte) por todo o apoio e compreensão no aprofundamento da nossa malograda psique, pelo toque pessoal em cada presente, pela criatividade e lançamento de projectos manuais que potenciam a expansividade. E pensar que tudo começou com o crosstabs demais, só para te ver, Roberto Carlos e a estatística e o nosso gosto pela Bossa e por cantar em qualquer lugar, mesmo que esse lugar seja um comboio a caminho de Verona. E voilá, acabámos a faculdade e continuámos a prestar auxílio, suporte emocional, categoria amigo, a big boss na área a causar-te stress, eu a romper as solas atrás da bolota e esta nossa mania de querermos viver! Por fim acabar o dia a rir sem propósito nem razão e sentir o quão precioso é existir sempre uma tentativa de compreensão do iceberg, mesmo à distância de meia dúzia de palavras digitadas. Obrigada pela tua amizade*
À Paulinha (a originalidade) por ter sido o bem mais precioso da minha temporada em Roma 2002/2003, pela doçura, carinho, pelas palavras bem escritas e bem faladas que me tocam sempre tanto, pelo gosto pela cultura e pela arte, em especial a escrita e a música. Lady Garbo que em tempos dizia que as batatas eram inestéticas, um dia calçaste as minhas botas de salto alto e só nos riamos no meu quarto em Roma, e naquele tempo ainda o leite condensado à colher! No futuro espero ver-te com o subtítulo real Lady ao lado de um riuvo britânico a passear no Kesington Park, com o guarda roupa exclusivo e isento de brands e o pensamento sempre sensível e analítico e assunto sempre interessante enquanto se caminha pelas cidades do mundo a disparar flashes. You're an inspiration within our generation* Surpreende-me sempre e emociona-me as palavras ternas e doces que escolhes para me fazer chegar, que me fazem sentir verdadeiramente especial e me fazem sentir-te uma pessoa especial.
À Mariana (a partilha) pelo tudo que nem consigo quantificar, à beleza e a fortuna de uma amizade assim, pura, sincera, one-to-one, de partilha intensa, de sentimento desinteressado e profundo, de raíz de árvore, por toda a música e poesia que trouxe até mim, por toda a música e poesia que fez brotar de mim, por me fazer acreditar em mim e no mundo, por me abrir as veias com violência quando quase me sufoquei no pó do buraco negro em que deixei afundar (quando a vida é tanta) por termos crescido em conjunto, por termos eclodido como os vulcões no mesmo momento, por não termos perdido a esperança. Ma petit Mary Ann, sabes que para ti as palavras estão gastas, desde a nossa adição a sms’, pandas, baús, significados, partilhar, partilhar, partilhar, intensamente, tudo, sem reservas, sem limites, sem margens, és o meu Sol, e depois os bons momentos, aqueles em que eu cresço e sorrio e existe aquele abraço, aquela compreensão, aquele chão* Todas as palavras do mundo são-te pequenas perante o carinho que te tenho e as saudades que, sozinhas, esvaziam todo o sal do mar. Gosto de ti sem mais nada*
À Sílvia (a boa disposição) pela espontaneidade, positivismo e alegria que sempre trouxe à minha vida, como poderei falar do teu nome sem imediatamente sorrir? Nós naqueles hotéis do submundo a rirmo-nos q nem doidas para não enlouquecer, a rirmo-nos até doer a barriga porque viver é afinal tão bom e quase parece fácil ao teu lado, nós a terminar o liceu, tão diferentes mas cultivando sempre a nossa planta da amizade. Já há 3 anos que os kms que nos separam são tantos, os telefonemas que me ajudaram tanto quando estive em Barcelona, a experiência que sempre me passaste, do mundo, das pessoas, das coisas, és uma pessoa cheia de luz*
À Ana Maria pelo sentido prático e amizade simples e sincera, ao Bruno pelo longo caminho que percorremos no passado imbuído de muita cumplicidade, à Sony pela transmissão cultural, pela exponenciação do meu intelecto, pelos valores partilhados e à Fátima pela maturidade e pacifismo e presença intermitente mas coesa.
Pessoas têm mãos, que formam estrelas, que podem ter paz, que podem dar paz, que podem trazer humanidade, que nos podem fazer acreditar que a amizade é dos sentimentos mais puros e desinteressados e deve ser mantida assim. Cheers*
24 February 2011
03 January 2011
cosmic love
A falling star fell from your heart and landed in my eyes I screamed aloud, as it tore through them, and now it's left me blind The stars, the moon, they have all been blown out You left me in the dark No dawn, no day, I'm always in this twilight In the shadow of your heart And in the dark, I can hear your heartbeat I tried to find the sound But then it stopped, and I was in the darkness, So darkness I became The stars, the moon, they have all been blown out You left me in the dark No dawn, no day, I'm always in this twilight In the shadow of your heart I took the stars from our eyes, and then I made a map And knew that somehow I could find my way back Then I heard your heart beating, you were in the darkness too So I stayed in the darkness with you The stars, the moon, they have all been blown out You left me in the dark No dawn, no day, I'm always in this twilight In the shadow of your heart The stars, the moon, they have all been blown out You left me in the dark No dawn, no day, I'm always in this twilight In the shadow of your heart 08 December 2010
self-disclosure
quando estamos no meio da tempestade o raciocínio é uma coisa praticamente impossível. o mais engraçado é que no meio da tempestade pensamos mesmo que a tempestade é tudo à nossa volta, quando na verdade a tempestade somos nós, e esta, hein? ah pois.. tão colada a nós sendo nós que é tão difícil de sacudi-la, rebuild, re-do, difícil, difícil, difícil... o pensamento torna-se círcular e não conhece novas sinapses e as que existem dão curto-circuito a toda a hora... o sentir é sófrego, quase impossível o verbo respirar, quase impossível conjugar verbos que vão além do sofrer, sobreviver, doer. é o fim da linha. sentimo-nos em recessão em abstinência.. cadê a felicidade, a alegria, aquela droga que nos corre nas veias e nos põe felizes? no meio de tudo estamos nus na ponta do desespero, não há búzios que nos salvem nem ventos do norte, é uma luta de um para um, batalha justa dos eus, dos caminhos, dos desafios.. o que vai ser do futuro? existirá futuro? é impossível existir futuro pensamos todos os dias no contexto da dor que não vai e que massacra. pensamos em desaparecer das mais diversas formas a mais romântica era alguém nos bater com uma varinha de condão e transformarmo-nos em sapos, somos sapos, o que é um sapo? porquê um sapo? dá-nos a ideia que um dia se transformará novamente em gente. afinal há esperança. afinal sempre houve esperança apesar de toda a aspereza das horas, apesar de tudo é uma luta que nos obriga a ir até ao lado de lá do impossível, a ira apodera-se de nós, nós em constante pecado, alucinados, flagelados, perdidos, e agora que já não podemos dizer "mãe tenho medo, tenho muito medo de não me conseguir superar" e ouvir do outro lado "vai correr tudo bem, eu estou aqui no matter what" mesmo que depois não corra, mesmo que caia da bicicleta enquanto me aventuro a tirar as mãos do guiador mas aquelas palavras seriam o chão e dali não passaria se elas tivessem existido. muitas conversas, com os amigos, sempre presentes, alguns surpresos, outros compreensivos, outros a deixarem-me crescer, atentos, outros a darem-me a esperança que parece que não tinha, eu que sempre lhes disse o que se foi passando comigo, do mau ao bom, eis-me de novo, é isto que sou, isto que estou, isto, concreto, transparente, sincero. não sei quando se deu a viragem da página, não sei quando fechei o capítulo e senti o ar entrar vida dentro, mas nada foi abrupto. já nada é abrupto, já nada é para amanhã nem para ontem, tudo é para hoje e tudo é apreciado convenientemente, sem pressas, afinal temos tanto tempo. tento. tento arduamente. essa é a minha lição. hoje tento ser feliz, hoje sou feliz, porque passei além dos meus limites. e talvez tenha que voltar a passar além dos meus limites actuais (desta vez porém sei o que me espera), a vida é essa constante luta, na minha opinião, em busca da maravilha, que pode ser reconhecer e tratar bem os amigos que nos querem bem, sentir o amor e fazê-lo amadurecer like fine red wine, a foto da Juliane Moore na publicidade da Bulgaris ou ouvir o don't wait too long cantado pela Madeleine Peyroux (andava com tantas saudades de ouvir esta música):

http://www.youtube.com/watch?v=V6-wrEhPpeg
A vida é uma violência. Esta porém é a violência à qual não podemos dizer que não.
Subscribe to:
Posts (Atom)
