26 April 2007



O que é bonito neste mundo, e anima,

É ver que na vindima

De cada sonho

Fica a cepa a sonhar outra aventura...

E que a doçura

Que se não prova

Se transfigura

Numa doçura

Muito mais pura

E muito mais nova



M.Torga

17 April 2007

In Barcelona

A maior solidão é a do ser que não ama.
A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende,
que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.
A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo,
no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.
O maior solitário é o que tem medo de amar,
o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo.
Esse queima como uma lâmpada triste,
cujo reflexo entristece também tudo em torno.
Ele é a angústia do mundo que o reflete.
Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção,
as que são o patrimônio de todos, e,
encerrado em seu duro privilégio,
semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

02 April 2007

another day


But the sun is burning

The world awakens on the run

And will soon be yearning

With hopes of beter days to come

Another day,

Another chance to get it right

30 March 2007

Half the perfect world - perfect jazz, perfect soul

The candles burned
The moon went down
The polished hill
The milky town
Transparent, weightless, luminous
Uncovering the two of us
On that fundamental ground
Where love’s unwilled, unleashed, unbound
And half the perfect world is found

26 March 2007

Crochet...

“Viver é fazer meia com uma intenção dos outros. Mas, ao fazê-la, o pensamento é livre, e todos os príncipes encantados podem passear nos seus parques entre mergulho e mergulho da agulha de marfim com bico reverso. Crochet das coisas... Intervalo... Nada... De resto, com que posso contar comigo? Uma acuidade horrível das sensações, e a compreensão profunda de estar sentindo... Uma inteligência aguda para me destruir, e um poder de sonho sôfrego de me entreter... Uma vontade morta e uma reflexão que a embala, como a um filho vivo... Sim, crochet...”